."Viver é a coisa mais rara do mundo, a maioria das pessoas apenas existe".Oscar Wilde .
Terça-feira, 13 de Fevereiro de 2007
Viagens de Moto - Norte de Portugal

Tempo sugerido: 6 dias | Total percorrido 635 km


Ao longo do Rio Douro está uma das mais importantes regiões vinícolas do mundo. É nele que começa essa viagem ao norte de Portugal, a Trás-dos-Montes e ao Minho, regiões rurais e tradicionais. Cidades medievais, vilarejos diminutos com gente hospitaleira e uma culinária fabulosa estão no caminho.


Dia 1

Porto / Peso da Régua   80 quilômetros *

Rio Douro
Segunda maior cidade de Portugal, o Porto é entrada para a região norte do país, famosa pelo turismo rural e pela vinicultura. A idéia é começar com um roteiro pelo Rio Douro. Comece a viagem em Peso da Régua, pequena cidade que vive da cultura da uva desde os tempos do Marquês de Pombal, que a determinou como capital do vinho do Porto. Aqui, vale a pena visitar a Casa do Douro para conhecer a história do vinho na região. Vá até o Miradouro de São Leonardo, nos arredores da cidade (mais especificamente no bairro de Galafura), para ver o panorama da região a 530 metros de altura. Use a cidade como base e faça uma exploração da região: são muitas os vilarejos e as quintas (adegas) que podem – e merecem – ser visitadas. Obrigatória, mesmo, é a passagem pela Casa de Mateus, na cidade de Vila Real, ao norte de Régua, um imenso casarão barroco à beira de um lago espelhado, adornado por jardins que formam um tapete simétrico.

Dia 2

Peso da Régua / Miranda do Douro   195 quilômetros *

Ponte romana de Mirandela

De Peso da Régua até Miranda do Douro, dirigindo por estradas secundárias, você irá conhecer vilarejos diminutos. Nesses lugares, onde vivem não mais que 150 pessoas, o modo de vida é parecido com o de décadas (ou séculos) atrás, com as viúvas vestindo preto para o resto de suas vidas, os homens no pasto e uma hospitalidade comovente – eles se sentem honrados com as visitas. Conheça localidades como Mirandela, com uma grande ponte romana de 20 arcos sobre o Rio Tua; a medieval Moncorvo, que tem a maior coleção ao ar livre do mundo de gravuras da Idade da Pedra; e Freixo de Espada à Cinta, cidade de nome curioso (que mereceu várias explicações) cuja paisagem é dominada por uma torre do século 14. Miranda do Douro, perto da fronteira com a Espanha, é também medieval. Centro cultural e religioso da região de Trás-os-Montes entre os séculos 16 e 18, merece um pernoite com direito a um farto jantar regional . Não estranhe se a língua aqui parece ainda mais estranha: a região do Douro tem idioma próprio, o mirandês, reconhecido oficialmente pelo governo em 1998. Trata-se de uma mistura de português e espanhol .

Dia 3

Miranda do Douro / Bragança   40 quilômetros *

Castelo de Bragança

 Bragança é a principal cidade de Trás-os-Montes, graças, principalmente, à auto-estrada que a liga directamente ao Porto e segue para a Espanha. Mas sua importância vem de longa data. No século 12, D. Afonso Henriques decidiu fazer aqui uma cidade murada, com um castelo (construído em 1187) dentro. Foram muitas as cidades muradas erguidas em Portugal nessa época, mas Bragança destaca-se por manter sua cidadela praticamente intocada até hoje. Vale a pena viajar no tempo caminhando pelas ruas e visitando pontos estratégicos como o Domus Municipalis (uma sala de reuniões em estilo românico), a Porta da Traição e o Castelo, com uma lendária Torre da Princesa. Se você quiser esticar o passeio, o Parque Natural de Montezinho, mais próximo da fronteira com a Espanha, é uma área bastante selvagem e fria, repleta de curiosidades.
Ponte romana sobre o Rio Tãmega

Dia 4

Bragança / Chaves   70 quilômetros *

Você pode seguir na estrada directo de Bragança para Braga, já na região do Minho, se achar que teve o suficiente de Trás-os-Montes. Mas, perder uma pérola como Chaves será uma pena. Chaves atrai todo tipo de povo desde os tempos dos romanos, que vieram aqui atrás de suas águas termais e jazidas de ouro no primeiro século da Era Cristã. Depois aconteceram invasões suevas, visigodas e mouras. Construções e ruínas de várias épocas retratam as diferentes caras da cidade. Até mesmo inscrições celtas podem ser vistas (no Penedo de Outeiro Machado, arredores da cidade). Fotografe muito a Ponte Romana sobre o Rio Tâmega, dos tempos do imperador Trajano (ano 100 d.C.) e a Igreja da Misericórdia, forrada com belíssimos azulejos do século 18.

Dia 5

Chaves / Braga   105 quilômetros *

Braga
A estrada que deixa Chaves para entrar na região do Minho é cheia de deliciosas surpresas: segundo os próprios, aqui reside o espírito português tradicional. Braga foi baptizada de Bracara Augusta pelos romanos e sofreu diversas intervenções durante a Antiguidade e a Idade Média. Como capital religiosa de Portugal e sede do arcebispado, Braga sedia belas procissões e eventos religiosos, principalmente durante a Semana Santa. Em qualquer época do ano, não perca: a Catedral da Sé (século 12), com um importante Museu de Arte Sacra; o Palácio do Raio, belo exemplo do barroco; o Paço Episcopal, adornado pelo belíssimo Jardim de Santa Bárbara e, obviamente, o Santuário de Bom Jesus do Monte e sua famosa escadaria.

Dia 6

Braga / Barcelos / Viana do Castelo   55 quilômetros *

Castelo de Viana
Mesmo aquele tipo de viajante que não gosta de parar para compras precisa entrar em Barcelos e conhecer o rico artesanato vendido na cidade. Barcelos, cujo nome é sempre lembrado por causa do galo símbolo de Portugal , é o maior centro produtor de artes do país. Cerâmicas (em pratos e azulejos), esculturas em madeira, peças em renda e tecelagem: tudo se encontra aqui. Feitas as compras, desvie um pouco da rota e, ao chegar à costa, suba ao norte para conhecer Viana do Castelo. A cidade, no distrito de mesmo nome, foi um importante centro durante a época das navegações – daqui saíram muitos dos barcos e dos marinheiros que desbravaram o Atlântico a partir do final do século 15. Na Praça da República, centro de Viana do Castelo, os arcos góticos lembram esse período. Ao redor, outras construções, como as fantásticas mansões erguidas com dinheiro trazido do Brasil, continuam bem preservadas.

Dia 6

Viana do Castelo / Vila Nova de Gaia / Porto   90 quilômetros *

Vista panorâmica de Vila Nova de Gaia
Vila Nova de Gaia surgiu como porto rival da cidade do Porto no século 13. Mas as duas cidades logo se uniram e, com a ascensão do vinho do Porto no mundo , ficaram ainda mais ligadas. É em Vila Nova de Gaia que ficam as principais caves do vinho do Porto e as visitas de degustação podem tomar um dia inteiro. Aproveite para conhecer as mais tradicionais, como a Ramos Pinto (famosa por seus cartazes no começo do século 20), a Ferreira e a Sandeman – todas têm visitas guiadas. Depois, é só voltar para o Porto e começar a sentir, desde já, saudades de Portugal.

* Total de quilometros rodados de moto no dia.


Mapa

 
publicado por AntonioCasteleiro às 00:01
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1 comentário:
De Gilberto a 21 de Agosto de 2011 às 14:43
Antonio
Achei ótimo seu site. Tenho 67 anos e sempre tive vontade de fazer a caminhada de Santiago, mas a idade e o peso certamente dificultarão esta empreitada.
Certa vez fiz este caminho de carro , porem por amis que me demorasse , levei apenas 5 dias.
Gostaria que voce informasse se é possivel fazer esta caminhada de moto (mas aquela de 50cc) e se for possivel, como faço para alugar uma desta motos e quais documentos precisarei?
Se voce puder ajudar-me com estas dicas , ficarei muito grato.
Meu nome e Gilberto e moro em Cabo Frio (RJ)
Meu email é galg.povoa@ig.com.br
Obrigado

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Este blog é um espaço de análise e opinião. Da minha análise sobre factos e coisas do dia a dia, e da opinião que à cerca delas vou construindo. Sobre o que escrevo, muitos dos que me lerem Estarão de acordo e muitos outros discordarão. Não há mal nenhum nisso. Assim uns e outros saibam Respeitar uma opinião contraria.Antonio Casteleiro

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