."Viver é a coisa mais rara do mundo, a maioria das pessoas apenas existe".Oscar Wilde .
Quarta-feira, 15 de Novembro de 2006
Viagens de Moto - Serra de Estrela

Por inumeras vezes, já visitamos a Serra de Estrela, pudera eu sou nativo da Covilhã,mas a viagem que vou descrever foi em Setembro passado, quando tres amigos meus espanhois com as companheiras, a vieram visitar.

A meio da tarde de Sexta-Feira, chegaram pela A 23 ao cruzamento para Belmonte, local defenido para eu os esperar.

Cervejaria Estrela - ManteigasDepois dos cumprimentos da ordem,seguimos por Sameiro em sentido contrário do curso das águas truteiras do Zêzere, em direcção a Manteigas, com paragem na cervejaria Central para recuperar baterias da viagem, onde o manda chuva Nuno, também motociclista, tem sempre a sair umas pataniscas de entre vários petiscos de qualidade suprema. O bacano do Nuno tem o cuidado de apresentar aos clientes contas que não desagradam.

Granittus Caffe / Pensão EstrelaDe seguida, fomos dar a conhecer aos colegas a Pensão Estrela, local onde se iria pernoitar. Já instalados e refrescados por uma banhoca, umas copas no Granittos Café,contiguo e pertença da Pensão,demos inicio a um passeio pela vila onde sinais evidentes do passado são as Igrejas de Santa Maria, São Pedro e da Misericórdia, o solar da Casa das Obras, as tecelagens de colchas e tapetes, em tear manual que pode ser visto ao vivo no Centro de Artesanato, as típicas casas de pastor, as cocharras e as esculturas em madeira, a latoaria e os trabalhos em carneira ou em granito.

Já algum tempo eram horas de jantar,quando nos sentámos á mesa no Restaurante Olival - Manteigasrestaurante Olival, pertença ao colega motociclista Queiroga.

Este "Tio" tem vários pratos tipicos da Vila, sendo por nós escollhido o cabrito assado. Hombre, que tela. Pão centeio,queijo da serra,vinho optimo..... tudo bom. Claro pouca barriga.

Uma caminhada a pé, para digestão do jantar, vamos até á esplanada do Granittus Caffé / Pensão até a umas horas dignas.... e de seguida subir aos aposentos a fim de descansár.

Sábado de manhã

Depois de se tomar o pequeno almoço na pensão, cruzamos o rio Zêzere na ponte junto às Caldas de Manteigas. Visitamos o viveiro das trutas e admiramos a mata que envolve a estrada, os pequenos pastos e as casas de pedra.

De um lado e de outro as vertentes abruptas, sulcadas por cascatas, riachos velozes e fontes caudalosas, das quais se destaca a Fonte de Paulo Luís Martins. À direita, o Covão de Albergaria e adiante o Covão d’Ametade, antiga lagoa de origem glaciar, aos pés do maciço do Cântaro Magro, onde nasce o rio Zêzere. Aqui é permitido o campismo, respeitando a sensibilidade do local que é todo ele revestido por relvados naturais (cervunais).

Mais acima paramos no miradouro para apreciar o vale do Zêzere,( vale Glaciar) , com o seu famoso recorte em U perfeito.

Passada a curva de acesso aos Poios Brancos e ao Planalto da Serra de Baixo, vemos á direita os rochedos dos Cântaros - o Gordo, o Magro e o Raso,. Depois surge a Nave de Santo António que é uma planície arenosa, a 1550 metros, originada por uma antiga lagoa glaciária.

No cruzamento com a estrada que vai para a Covilhã, voltámos à direita, para a Torre. No Covão do Boi visitámos o monumento a N.ª Sr.ª da Boa Estrela, baixo relevo esculpido na rocha , com mais de 7 metros de altura.

Mais acima, eleva-se, à direita, o Cântaro Raso e a seguir, o pitoresco rochedo do Cântaro Magro - um dos símbolos naturais da Serra. O Cântaro Gordo situa-se junto ao cruzamento para a Torre, onde em 1817 D. João VI mandou levantar uma torre de 7 metros para completar os 2.000 metros de altitude, o sitio mais alto de Portugal Continental. Belas paisagens são expostas ao nosso olhar.

As pistas de esqui da Torre, situam-se à direita, para Norte, dispondo de quatro telesquis e uma telecadeira.

Descendo da Torre até ao Sabugueiro, o passeio fez-se tranquilamente para melhor saborear a paisagem. É o aspecto rude do granito, o oásis que é num sitío desta natureza a Lagoa Comprida, com cheiro a ervas que crescem selvagens e por vezes o facto de as nuvens se encontrarem por baixo de nós. Se não é no céu que estamos, andamos lá perto.  É a beleza natural da serra que nos atrai a estas paragens, um território favorável aos seres vivos que melhor souberam contrariar a gravidade como a águia que é vista neste céu.

Chegados ao Sabugueiro, com casas de granito, e outros atractivos humanos, é a aldeia mais alta do país a 1050 metros de altitude, formou-se a partir de uma comunidade que aqui trazia os seus animais para o pasto. Por isso a sugestão de paragem está não só no artesanato regional como no tão apreciado Queijo da Serra e enchidos, saborosas
recordações que os meus amigos levaram para casa.

Seia é o destino que se seguiu. Único no seu género na Península Ibérica e dos poucos existentes no Velho Continente, o Museu Nacional do Pão procura preservar a memória da arte de fazer este alimento. No restaurante apreciam-se pratos da gastronomia regional que têm por base o pão. Era hora de almoçar. Comemos bem, claro o ar da serra é um bom tónico para o apetite.

De estômago aconchegado, é altura de continuar, numa primeira fase por uma paisagem que já lhe é familiar: em direcção ao Sabugueiro. Daqui subimos para Manteigas, que de caminho visitámos as Penhas Douradas e a Albufeira da Barragem do Vale do Rossim, onde a neve, o gelo, o granito e a água se misturam no Inverno e se enche de prazeres aquáticos durante o Verão. Aqui existe um restaurante e um novo Parque de Campismo

Fomos ao Mondeguinho; fonte e nascente de um dos maiores rios portugueses - o Mondego.

Até Manteigas repousamos o olhar em paisagens de xisto e na frondosa mata de carvalhos. A Capela de N.ª Sr.ª do Carmo e o idílico Covão da Ponte, tiveram uma atenção especial.

Manteigas é nome macio para uma região tão marcada pelo aperto da montanha. Fomos visitar os viveiros de trutas e o Poço do Inferno.

Tem este nome por ser um vale muito estreito cujo leito percorre a linha de união entre o xisto e o granito e onde o desnível gera uma cascata cujo som parece um trovão. O microclima deste local especial favorece o crescimento de uma vegetação luxuriante. 

Antes do jantar na esplanada do Granittus Café, no meio de umas canhas, o tema foi o comentar do belo que os nossos olhos admiraram.

O prestavél Januário, gerente e cozinheiro do local de acolhimento, preparou para o nosso jantar, um prato típico da vila, Trutas em escabeche, de uma qualidade, é  sempre, excelente.

Bem, depois de jantar e como é Sábado, impunha-se conhecer a actividade nocturna de manteigas.

Visitados dois ou tres locais, passámos o resto noite no bar " Aqui á Rato". Local bastante agradravél e acolhedor. Também aqui, o gerente Tó não defraudou a arte de bem receber e servir das gentes da serra, nomeadamente de Manteigas. Foi ás horas obrigatórias de encerramento do bar, que fomos descansár.

Os locais aqui referidos, são alguns de vários, que Manteigas tem de bom para oferecer áqueles que a visitam.

Domingo pela manhã.

Um pequeno almoço á moda da serra, claro lá está a altitude a abrir o apetite, fomos em direcção á Covilhã, pelas Penhas da Saúde, afim dos meus amigos conhecerem de passagem a cidade e de seguida em direcção a Belmomte.

Belmonte é um Concelho quase tão antigo como a Nacionalidade.

A vila de Belmonte teve foral em 1199 e está situada no panorâmico Monte da Esperança (antigos Montes Crestados), em cujo morro mais rochoso foi construído nos finais do séc. XII o seu castelo que juntamente com os castelos de Sortelha e Vila de Touro, formaram até à assinatura do Tratado de Alcanices (1297), a linha defensiva do Alto Côa, apoiada na retaguarda pela muralha natural da Serra da Estrela e pelo Vale do Zêzere.

Era imperioso  visitar a terra do navegador Pedro Alvares Cabral e o castelo onde viveu os seus primeiros anos de vida.

O tempo era pouco, mas deu ainda para ver antes do almoço,quinhentos anos após a descoberta do Brasil a estátua de Pedro Alvares Cabral, o pelourinho quatrocentista,o Museu Judaico, o Castelo de Belmonte, Monumento Nacional e que é formado pela Torre de Menagem, vestígios da antiga alcaidaría (Paço dos Cabrais) e um moderno anfiteatro ao ar livre, rodeado por imponentes muralhas. À saída do Castelo, em frente, observamos as capelas de Santo António (séc. XVI) e do Calvário (séc. XIX) e, à direita, a cruz de madeira de Pau Santo do Brasil (réplica da que foi mandada levantar por Cabral na 1ª missa celebrada no Brasil), oferecida nos anos 50 pelo presidente brasileiro Kubichek de Oliveira. 

A visita tinha que terminar, já quase fora das horas ditas de almoço, fomos almoçar.

Havia ainda a seguir realizar cerca de 300 km de regresso a casa.

Ficou a promessa num futuro próximo, continuar esta visita em Belmonte e prolonga-la ás aldeias histórias nos concelhos limitrofes.

 

publicado por AntonioCasteleiro às 00:01
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Este blog é um espaço de análise e opinião. Da minha análise sobre factos e coisas do dia a dia, e da opinião que à cerca delas vou construindo. Sobre o que escrevo, muitos dos que me lerem Estarão de acordo e muitos outros discordarão. Não há mal nenhum nisso. Assim uns e outros saibam Respeitar uma opinião contraria.Antonio Casteleiro

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