."Viver é a coisa mais rara do mundo, a maioria das pessoas apenas existe".Oscar Wilde .
Sábado, 23 de Dezembro de 2006
Encontro de motos gera turismo

Voltando de um encontro de motociclistas em Santiago de Compostala veio-me á lembrança  outras viagens que fiz com o mesmo propósito. Sempre que se vê um grupo de motociclistas na estrada, provavelmente eles estão indo ou voltando de algum encontro desse tipo.

Apesar do susto que alguns levam, os locais que abrigam os encontros de motociclistas nunca se arrependem. Eles fazem barulho, gostam de um som pesado e até trazem alguns grupos musicais para animar suas noites. Mas, de um modo geral, estão interessados em conhecer ,  conversar com amigos e preencher alguns sonhos juvenis, como ver concurso de garotas de thirt's molhada.

Os encontros de motociclistas abrem caminho para novos panoramas e funcionam um pouco como o turismo new age, desenvolvido após a era hippie. Esse turismo foi objecto de um longo estudo no livro "Geographies of Youth Cultures Cool Places" (Routledge) (geografia das culturas do jovem lugares legais).

O estudo concentra-se no turismo que os hippies faziam em Stonehenge, no Reino Unido, especialmente no solstício, no meio do verão europeu. São viajantes com uma certa propensão utópica, com uma tendência a idealizar o campo como um lugar diferente, pacífico e mais puro que as grandes cidades. Em muitos casos, os viajantes new age demonstram interesse por organizações comunitárias e outras formas de trabalho alternativo.

A convivência com as populações locais nem sempre foi harmoniosa. É sempre estranho ver chegar um leque de pessoas vestidas com todas as cores do arco-íris viajando em ônibus também coloridos e cantando pela estrada a fora.

O que aproxima os motociclistas de hoje dos viajantes new age é o carácter tribal electivo, que permite também muitas variações dentro de um mesmo encontro. Lá estão os donos das Choppers / Costun / Naked , no seu grupo especial, os donos das grandes máquinas esportivas e também os que viajam com máquinas de 250 ou 125 cilindradas.

Há outros pontos de convergência, uma vez que por onde passam os motociclistas, em muitos casos, já passaram também os hippies da década de 70 .

O ponto que separa as duas experiências mais nitidamente é a máquina.

Os motociclistas formam uma unidade com sua máquina e, nos grandes encontros, as máquinas não são apenas exibidas, mas tornam-se o centro das conversas e até de transacções comerciais que um sector da indústria cobre, deslocando-se para os locais marcados com seus produtos.

Há outros aspectos que mereciam ser estudados, como o papel da mulher. Os motociclistas, a julgar pela cobertura das revistas especializadas, gostam de desfiles de mulheres e muitas delas são fotografadas de biquíni ao lado das máquinas.

O turismo  new age era mais próximo ao movimento feminista. Sua idéia era viajar para se transformar no contato com um campo mais puro, trabalhar em comunidades, apoiar movimentos ecológicos.

Os motociclistas levam sua própria cultura e a instalam provisoriamente na cidade. Máquinas, acessórios, grupos de rock, mulheres desfilando audaciosamente de biquíni, enquanto os viajantes new age pretendiam se forjar na imersão do quotidiano campestre.

É inegável que, do ponto de vista do turismo, os encontros de motociclistas têm sido um estímulo para as regiões em que são realizados.

Apesar da mobilidade e da autonomia dos pequenos "grupos", será possível fazer um calendário para o segundo semestre. Assim os responsáveis do turismo de cada lugar, em vez de se surpreenderem, deviam organizar-se para abrir facilidades de estacionamento, pontos de encontro, roteiros e contactos com a cultura  local. Deviam alguns ser mais actuais em relação aos tempos que correm.

Grupos de motociclistas na estrada expressam a vitalidade desse nicho do turismo.

 A idéia clássica do homem de camisa de flores e uma câmera fotográfica que faz tudo automaticamente é apenas um clichê.

O turismo tem mil caras, felizmente.

 

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publicado por AntonioCasteleiro às 00:01
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Este blog é um espaço de análise e opinião. Da minha análise sobre factos e coisas do dia a dia, e da opinião que à cerca delas vou construindo. Sobre o que escrevo, muitos dos que me lerem Estarão de acordo e muitos outros discordarão. Não há mal nenhum nisso. Assim uns e outros saibam Respeitar uma opinião contraria.Antonio Casteleiro

Os Anjos

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- Esta irmandade tem um código de honra silencioso, quase secreto, que nunca precisou ser escrito, mas quem faz parte dela já nasce sabendo. Este código reza não deixar um irmão na estrada, não conhece o valor do dinheiro e ensina que todo motociclista merece respeito independente da marca ou cilindradada de sua mota. -

( antonio casteleiro )

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